O que é a Coligação Flotilha da Liberdade?

A Coligação Flotilha da Liberdade é composta por iniciativas e organizações da sociedade civil de vários países. Temos vindo a desafiar o bloqueio ilegal e desumano que Israel exerce desde 2011 sobre Gaza e estamos empenhados em continuar a luta até que o mesmo seja incondicionalmente levantado e que o povo palestino, onde quer que se encontre, adquira o pleno exercício dos seus direitos, incluindo o direito à liberdade de movimentos.

Por que é que a actual campanha da Flotilha se intitula “Para as Crianças de Gaza”?

Dado que a maior parte da população de Gaza é constituída por crianças, é importante realçar a nível mundial que elas são as mais afectadas pelo bloqueio. As crianças palestinas que vivem em Gaza, bem como na Cisjordânia e na diáspora, foram privadas dos direitos humanos mais básicos durante décadas. Desde 2006, essas violações de direitos, desde a liberdade de movimentos até ao direito ao retorno, afectaram ainda mais os palestinos de Gaza devido à ocupação e ao bloqueio ilegais de Israel.

Onde estão as campanhas participantes?

As campanhas que participam na Coligação Flotilha da Liberdade incluem: Canadian Boat to Gaza, Freedom Flotilla Italia, My Care Malaysia, Kia Ora Gaza [Nova Zelândia/Aotearoa], Ship to Gaza Norway, Palestine Solidarity Alliance  [África do Sul], Rumbo a Gaza [Espanha], Ship to Gaza Sweden, Mavi Marmara Freedom and Solidarity Association [Turquia], US Boats to Gaza e o International Committee for Breaking the Siege of Gaza [Comité Internacional para Romper o Cerco a Gaza]. Temos parcerias com as seguintes organizações: Palestine Solidarity Campaign [Reino Unido] Free Gaza Australia e a Plateforme des ONG Françaises pour la Palestine [Plataforma das ONG Francesas pela Palestina] [França].

A Flotilha é uma iniciativa não-violenta?

O nosso objectivo é alcançarmos por meios pacíficos o fim do bloqueio ilegal israelita. Todas as iniciativas da Coligação Flotilha da Liberdade foram levadas a cabo seguindo os princípios teóricos e práticos da não-violência. Todos os que participam na última etapa até Gaza, recebem um treino em respostas não-violentas, para a eventualidade de serem atacados, raptados e presos. Escolhemos sempre combater a opressão utilizando estratégias não-violentas. Não levamos armas. As únicas armas que chegam à nossa embarcação são as das guardas costeiras, da polícia e do pessoal militar. Para dar um exemplo, em 29 de Julho e 3 de Agosto de 2018, as tropas Israelitas introduziram a bordo um número significativo de armas quando atacaram violentamente as nossas embarcações e os nossos participantes em águas internacionais.

Porquê é que o bloqueio israelita a Gaza é ilegal?

Israel ocupa a faixa de Gaza desde 1967 e, na qualidade de força ocupante, é responsável pelo bem-estar da população dentro desse território (Resolução 64/94 da Assembleia Geral das Nações Unidas). Em 2011, cinco especialistas independentes das Nações Unidas em direitos humanos declararam que o bloqueio a Gaza é ilegal (How can Israel’s blockade be legal? [Como pode ser legal o bloqueio isralita?]) devido aos efeitos desproporcionados sobre a população civil palestina. As Nações Unidas avisaram que, se continuasse, o cerco tornaria inviável uma vida normal em Gaza a partir de 2020. Actualmente, os limites no acesso a água potável, alimentação suficiente, electricidade e cuidados médicos, assim como a exposição a periódicos bombardeamentos, tornam Gaza inabitável.

O actual bloqueio foi imposto em 2006 por Israel e pelo Egipto com o apoio internacional de muitos governos. O bloqueio limita a circulação de pessoas e bens. Ao adoptar medidas restritivas que afectam a totalidade da população, viola o Artigo 33 da Quarta Convenção de Genebra que proíbe punições colectivas. Para mais informações veja-se o relatório de 2017 da Comissão para os Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (Israeli Practices towards the Palestinian People and the Question of Apartheid [Práticas Israelitas para com o Povo Palestino e a Questão do Apartheid]), o relatório do Tribunal Penal Internacional (ver pág. 16 relativa a Israel enquanto potência ocupante), o relatório das Nações Unidas sobre a Questão Palestina e o relatório da Amnistia Internacional relativo ao bloqueio e punição colectiva. Até algumas ONG israelitas como a Gisha realçam a responsabilidade legal de Israel perante a população de Gaza.

Quando e por onde vai navegar a próxima Flotilha?

A próxima Flotilha da Liberdade para Gaza (Para as Crianças de Gaza) teve de ser adiada devido à pandemia de Coronavirus (COVID 19) mas vai navegar durante o Verão (hemisfério norte) de 2023.

Iremos anunciar datas precisas e portos quando estiverem confirmados. A viagem Para as Crianças de Gaza está planeada como uma campanha para um período de dois anos: em 2023 a embarcação viajará por portos europeus, com uma etapa final até Gaza em 2024.

Os nossos objectivos para 2023 consistem em maximizar a divulgação entre comunidades que possam ajudar-nos a exercer pressão sobre governos cúmplices, para que seja posto fim ao bloqueio. Incluímos portos de países europeus cujos governos apoiam financeira e politicamente Israel em vez de o considera responsável pelas violações dos direitos humanos.

Ao longo do tempo, vamos inserir informações, incluindo audiovisuais sobre eventos, participantes e visitantes, nesta nossa página web, assim como nas nossas páginas nas redes sociais Facebook, Twitter e Instagram.

Porque é que o barco se chama Handala?
Handala representa os palestinos e, em especial, as crianças palestinas.  Handala é a criança refugiada que, presente em todos os desenhos animados, continua a ser um símbolo potente da luta do povo palestino pela justiça e pela autodeterminação.  Dado que mais de dois terços da população de Gaza são refugiados palestinos e que mais de metade dos habitantes de Gaza são crianças, Handala parecia representar na perfeição a missão desta flotilha “Pelas Crianças de Gaza”.

No passado, as embarcações da Flotilha da Liberdade tentaram navegar até Gaza; por que motivo não em 2023?

À medida que as várias comunidades, na Europa e noutros locais, emergem das restrições impostas pela pandemia de Covid, há muito trabalho que tem de ser feito a nível europeu para desafiar o bloqueio israelita. Temos de concentrar a atenção pública sobre a cumplicidade dos nossos governos com o brutal regime israelita do apartheid, que confisca ilegalmente embarcações e outras propriedades privadas em águas internacionais. Pretendemos aumentar a atenção e o compromisso dos meios de
comunicação para com comunidades que tenham a capacidade de obter uma mudança no apoio dos respectivos países às violações dos direitos humanos por parte de
Israel.

Esta é realmente uma Flotilha da Liberdade apesar de, este ano, não navegarem para Gaza?

Absolutamente! Quer a nossa viagem, quer a nossa embarcação estão dirigidas a Gaza. A maneira de fazê-lo é que mudou com o passar dos anos. Originariamente, as nossas embarcações saíam directamente de portos do Mediterrâneo, da Grécia ou da Turquia, para dar um exemplo. Mais recentemente, as nossas embarcações efectuaram numerosas paragens em diversos países da Europa com fins educativos e solidários antes de se dirigirem para Gaza. Seguimos essa mesma linha de conduta, agora com uma janela temporal que se estende para além de um ano de calendário.

Quem estará a bordo?

Seleccionamos participantes de diferentes países e damos as boas-vindas a representantes da sociedade civil, incluindo políticos, activistas, jornalistas, dirigentes sindicais, artistas, académicos, líderes religiosos e estudantes nas diferentes etapas da viagem. As suas biografias serão inseridas na nossa página web na secção Participants [Participantes]. Vejam os anteriores participantes de 2018 e do Women Boat to Gaza 2016 [Embarcação de Mulheres para Gaza 2016].

Quando param nos portos, há participação da população local?

Sim. Vamos parar em numerosos portos e na maior parte deles haverá eventos públicos de divulgação. Contacte a campanha mais próxima de si para mais pormenores sobre como poder participar. Podem ver exemplos de paragens nos portos em 2018.

As embarcações da Flotilha levam ajuda para Gaza?

A nossa flotilha Para as Crianças de Gaza é uma missão de solidariedade e não uma missão de ajuda. A maioria dos habitantes de Gaza depende da ajuda em consequência de decisões políticas dos nossos governos, que são cúmplices do bloqueio. Embora seja de importância vital que organizações como a UNRWA continuem a fornecer ajuda a Gaza, esse não é o papel duma aliança de activistas como a nossa: o nosso objectivo é acabar com o bloqueio ilegal de Gaza por parte de Israel e não torná-lo ligeiramente mais tolerável. Dito isto, a situação torna apropriado levar uma certa quantidade de suprimentos médicos, guiando-nos pelos pedidos que os nossos parceiros em Gaza nos comuniquem. É claro que estamos conscientes de que não podemos responder às enormes e constantes necessidades médicas de Gaza. A única maneira sustentável de garantir que os palestinos de Gaza recebam o tratamento médico que merecem é acabar com o bloqueio, de forma permanente e incondicional. Quando os Palestinos alcançarem a total liberdade de movimentos, não necessitarão mais da ajuda internacional.

Nesta missão estabelecemos uma parceria com o Gaza Surf Project e planeamos transportar na nossa embarcação algum equipamento salva-vidas.

Para além destes equipamentos, a embarcação da Flotilha transportará unicamente os participantes (incluindo dos meios de comunicação), juntamente com a esperança de uma comunidade internacional em contínuo crescimento no sentido de acabar com o bloqueio. Esperamos que, depois de chegarmos ao litoral de Gaza, esta viagem possa abrir canais para que outros viagem para a Palestina e, mais importante, para que o povo palestino possa usufruir das suas águas territoriais para a pesca, para outros recursos marinhos, para viagens, exportações e importações. Embora a nossa carga mais importante seja sempre a solidariedade humana, prevemos doar a nossa embarcação às organizações locais de pescadores que foram nossas parceiras na anterior campanha Solidarity with Gaza Fishers [Solidariedade com os Pescadores de Gaza].

Há riscos para os participantes?

Há sempre riscos quando se desafiam acções ilegais das forças de ocupação Israelitas, especialmente porque os nossos governos falham em considerar Israel responsável pelas suas acções violentas contra civis. Porém, estes riscos são mínimos em comparação com os que os Palestinos enfrentam diariamente em Gaza, uma vez que que não podem escolher se querem ou não viver num território ocupado, regularmente submetido a ataques. Dado que as nossas missões enfrentam frequentemente um “bloqueio dos meios de comunicação”, que omitem relatar a violência das forças Israelitas, você pode ter um papel muito importante enquanto “passageiros em terra”. Isso inclui actuar como “salva-vidas” para os que estão a bordo, pressionando os meios de comunicação locais, nacionais e internacionais para cobrirem a nossa viagem, assim como pressionar a classe política para que fale a favor da segurança dos nossos participantes e dos direitos dos Palestinos em Gaza. Quantos mais olhos, ouvidos e teclados seguirem a nossa missão, mais seguros estarão os nossos participantes e melhores serão os resultados para a população palestina de Gaza.

Como é financiada a embarcação da Flotilha Para as Crianças de Gaza?

Os fundos são recolhidos por cada campanha participante mediante contactos com individualidades e organizações que apoiam os nossos esforços. A Coligação Flotilha da Liberdade é uma rede de individualidades e de grupos da sociedade civil não ligada a qualquer partido político. Aqui encontra uma ligação para efectuar um donativo. Qualquer montante é bem-vindo, por mais pequeno que seja.

A Coligação Flotilha da Liberdade apoia o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções)?

Sim. O Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS) é um movimento global, não-violento, liderado pela Palestina, em prol da liberdade, justiça e igualdade. O BDS defende o simples princípio de que os Palestinos devem ter os mesmos direitos dos restantes seres humanos. Os parceiros da Coligação Flotilha da Liberdade apoiam o Apelo Palestino para Boicote, Desinvestimento, Sanções. Consulte as páginas web de cada um dos parceiros para informações e actividades na sua área ou encontre uma campanha BDS perto de si.

Afirmam que as vossas campanhas apoiam os plenos direitos dos Palestinos: Quais são eles?

Apesar de estarmos centrados na oposição ao bloqueio ilegal contra os Palestinos de Gaza, vemos isso como sendo parte do contexto mais vasto de apoio ao direito de todos
os Palestinos à liberdade de movimentos. A ocupação Israelita viola diariamente o direito humano dos Palestinos de poderem circular livremente no seu país, assim como de poder sair e voltar ao mesmo. Apoiamos também um leque mais alargado de exigências de respeito pelos direitos humanos dos Palestinos, fundamentado no direito internacional, que inclui:

  1. Fim da ocupação e colonização israelita de todo o território palestino e desmantelamento do Muro do Apartheid, conforme parecer de 2004 do Tribunal Internacional de Justiça.
  2. Reconhecimento do direito fundamental à igualdade dos cidadãos árabes de Israel, e
  3. Respeito, protecção e promoção do direito dos refugiados palestinos ao retorno às casas e propriedades, tal como estipulado pela Resolução 194 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 11 de Dezembro de 1948.

Para mais informação acerca dos efeitos devastadores do bloqueio, veja a secção “Life in Gaza” [Vida em Gaza].

Qual o motivo de a flotilha Para as Crianças de Gaza desafiar o bloqueio israelita por via marítima?

As organizações internacionais da sociedade civil têm vindo a desafiar, desde 2007, de várias maneiras, o ilegal bloqueio terrestre e marítimo de Gaza imposto por Israel. Enquanto outras organizações tem centrado as suas acções no desafio ao bloqueio terrestre, a Coligação Flotilha da Liberdade desafia o bloqueio marítimo israelita, a fim de chamar a atenção para os efeitos que este bloqueio tem sobre a população palestina de Gaza: por um lado, sobre os pescadores, que são frequentemente alvejados pela
marinha Israelita quando pescam para prover o sustento das suas famílias e da população em geral, e, por outro lado, sobre a generalidade dos Palestinos, a quem é interdito comerciar e viajar utilizando o porto de Gaza.

Qual é a relação entre esta missão da Flotilha da Liberdade, a actual crise dos refugiados e o grande número de pessoas que cruzam o Mediterrâneo tentando chegar à Europa?

Acreditamos que a crise dos refugiados decorre em parte da falta de vontade política para resolver as situações que obrigam as pessoas a deixar as suas casas em busca de segurança. A população palestina de Gaza não tem sequer a opção de poder navegar rumo à liberdade, pois o bloqueio das forças de ocupação Israelitas impede que tenha acesso ao Mar Mediterrâneo. Não nos esqueçamos que a nível mundial mais de 5 milhões de refugiados são palestinos, incluindo 70% dos que vivem em Gaza.

Como posso apoiar a campanha?

Há muitas maneiras – carregue aqui para saber mais.

Al Awda (the Return) 2018